“Não existe prisão pior que a solidão.
“Minha vida escolar é frustrante.
Primeiramente, eu não sou popular. Nunca fui. Não que eu me lembre. E de início isso não atrapalha, até que você precisa de favores e ajuda em trabalhos escolares. A forma como os professores dão aulas é péssima. Um, dois, três ou quatro tempos de uma matéria não rende nada, porque o professor não é objetivo e tenta ensinar assuntos que você nunca vai estudar na vida. Vocês entenderão isso quando tiverem contato com algum cursinho de pré-vestibular ou visitarem alguma faculdade. São dois lugares onde a lei do cão impera: “cada um por si próprio”. Mas pelo menos as aulas são mais diretas e na hora da explicação todo mundo cala a boca. Na hora da chamada, você não precisa correr o risco de levar falta porque não gritou o suficiente para ser ouvido. E o educador tem a obrigação de ensinar o importante para o futuro e não ser babá. Nada de ficar dando broncas sobre ética e moral quando a maioria dos professores também colava na prova e esqueciam de trazer algum trabalho. A minha família acha o colégio um paraíso. Talvez tenha sido, porém até a quarta série. Após essa fase, se tornou uma prisão. Nossos pais não entendem porque muitas vezes queremos faltar, mas não são eles que recebem humilhações de mestres e são taxados de preguiçosos e idiotas o tempo todo. Não são eles que já sofreram bullying ou foram motivo de chacota em um ano escolar. Eu pensei que eles compreenderiam. Me enganei. Na época dos dois, o estudo era mais fácil, a sala de aula era silenciosa – a famosa palmatória, talvez – e as pessoas tinham o mínimo de respeito pelos outros. É um período exaustivo. Incompreensão total da parte de tudo e de todos. Eu espero que um dia os adultos entendam que uma boa parte do nosso desinteresse em estudar é culpa deles. E tomem uma atitude em relação a isso, claro.
Lutamos pela sinceridade, em um mundo movido por mentiras.
(Fonte: meuspassosesquecidos)